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Do medo à ansiedade

“De repente senti um terrível medo, sem motivo aparente, meu coração disparou, tive dor no peito e falta de ar, pensei que fosse morrer”.

Certamente, você já ouviu alguém falando algo parecido, ou pelo menos já percebeu o quanto esse tipo de reação se tornou comum. Por que? Qual a diferença entre medo e ansiedade?

Desde a pré-história, o processo de seleção natural permitiu que pessoas mais medrosas e precavidas sobrevivessem em meio a tantos perigos. Ou seja, o medo nos trouxe até aqui. Evoluímos e a preocupação foi se tornando a marca da raça humana.

No mundo moderno, as preocupações são outras. Não se trata de serem maiores ou menores, mas sim de serem muitíssimas vezes mais diversificadas e pulverizadas. Isso significa que as preocupações se desassociaram de fatores externos específicos, como as feras e os perigos do passado, e passou a se associar a qualquer nuance da vida, como, por exemplo, a satisfação no emprego, a realização amorosa, um visual perfeito.

Desse modo, a vida humana foi sendo permeada pela ansiedade, que além de preocupação, também se refere à nossa energia vital para aquilo que nos motiva.

As cobranças e a competitividade são fatores que podem contribuir para que a ansiedade saia do controle ou se generalize na vida inteira da pessoa, podendo ocasionar doenças ligadas a ela. A insatisfação com a vida está na base e se materializa de muitas formas. O número de divórcios, por exemplo, cresceu cerca de 13 vezes nas últimas três décadas, segundo as estatísticas. Outra estatística de uma associação internacional de estudos do estresse, mostra que 8 em cada 10 trabalhadores apresentam algum sintoma mais grave de ansiedade ao longo da carreira.

Ansiedade não é doença. Ela faz parte de nosso sistema de defesa. Mas, defesa do que? Segundo Freud, que foi quem primeiro definiu o termo há cerca de 120 anos atrás, a ansiedade é o medo de algo incerto, indefinido, sem objeto. Outra definição interessante é a do psiquiatra australiano Aubrey Lewis que, em 1967, definiu ansiedade como “um estado emocional com a qualidade do medo, desagradável, dirigido para o futuro, desproporcional e com desconforto subjetivo”. Portanto, a pessoa ansiosa vive em estado de alerta constante por causa de uma situação que pode acontecer e causar sofrimento.

A diferença entre o medo e a ansiedade, basicamente, é a distância do perigo: no medo a distância do perigo é próxima, iminente; na ansiedade, o motivo da preocupação está no futuro, ou mesmo numa possibilidade. Sentir-se preocupado é muito natural, mas quando a ansiedade se intensifica e sai do controle, as reações são semelhantes às do medo, porém sem um motivo concreto.

O problema é que conforme vamos interpretando as nossas reações aos eventos, passamos a acreditar que existe algo errado com nossa saúde. Podemos começar a ter pensamentos catastróficos, que vão aumentando ainda mais a ansiedade e isso acabar numa crise de ansiedade, que hoje ficou famosa com o nome de “Crise de Pânico”. Mas, isso já é assunto para uma próxima oportunidade.

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