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10 passos para o perdão

Se perdoar fosse fácil não levaríamos tanto tempo pensando naquela pessoa que de algum modo nos feriu, nos ofendeu, nos magoou.
Quando alguém nos faz algo assim, ficamos com essa pessoa presa em nossa mente, ou melhor, nosso pensamento insiste em trazer essa pessoa à nossa consciência.

Na minha experiência profissional como psicóloga tenho me deparado com muitas pessoas cujas vidas foram dilaceradas por traumas, desde a infância. Seja por causa de um abuso emocional, seja por um abuso sexual, enfim, muito cedo essas pessoas cruzaram com outras pessoas que foram para ela algozes. Os algozes ficam presentes na vida dessas pessoas, mesmo quando se passam muitos anos. E como se livrar delas? Só perdoando. Perdoar não é necessariamente esquecer. Porém, a lembrança fica sem a dor, sem a emoção ruim e a importância daquela pessoa ou fato são diminuídas. O fato ocorreu, não pode ser apagado. Mas, as marcas que ele deixou podem ser muito modificadas.

Raciocinando de outra forma, aposto que você só hospeda em sua casa/lar pessoas muito queridas. Por que então em sua casa/mente você deixa ficar, muitas vezes por anos, pessoas que não te fazem bem?
Faça, então, a seguinte reflexão: acaso você guardou incompreensão, mágoa ou raiva de pessoas no seu passado (recente ou antigo), e que ainda hoje esses acontecimentos te geram desconforto físico ou mental?

Então, siga esses 10 passos:
1. Decida de uma vez se você quer perdoar? Leve em consideração que o benefício é seu e que o outro não precisa nem ficar sabendo que está sendo perdoado, já que esse é um processo de cura interior.

2. Como você lida com seus próprios erros? Procura se perdoar e aprender com o erro ou se corrói, ruminando fixamente o que você fez? Normalmente, as pessoas que são mais exigentes consigo tendem a ser também com os outros. Agem implacavelmente e não toleram bem os erros alheios. Ajudaria muito se tentássemos “salvar a pele do outro” de alguma maneira, ou seja, se tentássemos buscar um sentido para o que o outro fez.

3. Você costuma classificar as pessoas como boas ou más? Do bem ou do mal? Cuidado! Fica fácil dividir as pessoas em dois grandes grupos. Nesse raciocínio, você é uma pessoa do bem, certo? Mas, será que todo mundo acha isso? Será que você também nunca errou com ninguém? É claro que todos nós já erramos, causamos mágoas e sofrimento. Pois é assim que devemos olhar alguém a quem queremos perdoar: como um ser humano falível como eu.

4. A pessoa merece o seu perdão? Quando proponho esse passo sei que a resposta muitas vezes vai ser um sonoro NÃO. Para perdoar, ajudaria se a pessoa merecesse, mas, se não merecer, ainda assim devo tentar perdoá-la levando em consideração que eu não mereço conviver com ela em minha mente. Que eu posso simplesmente ignorá-la, que eu posso pensar que a própria vida dela se encarregará de mostrar-lhe as lições que ela precisará aprender, que não serei eu a ensinar, nem julgar, nem apenar, nem condenar.

5. Você guarda algum sentimento de injustiça em relação à pessoa ou à vida? Muito cuidado! O que mais escuto de pessoas depressivas é: “isso não é justo!” Não há justiça nos acontecimentos do mundo. A vida não segue um padrão de justiça. Então, procure não alimentar essa ideia vitimista de que algo não deveria ter acontecido contigo. Coisas ruins simplesmente acontecem a pessoas boas.

6. Como vejo o outro? O perdão tem de atingir a nossa forma de interpretar o outro, de ver o outro, e a nós mesmos. Mas, tem a ver com a personalidade de cada um. Tem pessoas com mais facilidade para perdoar, registram o fato com menor impacto em si, são mais fortes afetivamente. Outras têm mais dificuldade porque são mais sensíveis, o que as tornam mais rígidas emocionalmente. Nesse ponto, devo recomendar que as pessoas mais sensíveis e frágeis devem sempre procurar o que há de bom em si, suas qualidades, seus pontos fortes, e, depois, tentar buscar o que há de bom no outro.

7. Você consegue retirar a pessoa da posição de pai/mãe/irmão/amigo/ namorado/cônjuge e olhá-la apenas como uma pessoa? Quando alguém querido nos causa uma mágoa, sofremos ainda mais. De um lado porque temos de continuar convivendo com a pessoa e, de outro, porque delas esperamos sempre coisas boas. Desse modo, para perdoar você precisa retirar a pessoa da posição que ela ocupa na sua vida e colocá-la na posição de uma simples pessoa, um ser humano falível, egoísta, conflituado.

8. De quem eu não consigo me desvencilhar? Da pessoa que eu imaginei que ele era, ou quem ele realmente era? Muitas vezes aprisionamos o outro nas nossas expectativas. E não conseguimos nos livrar delas porque as prendemos na ilusão que nós mesmos criamos para elas. Vistas como pessoas, fica mais fácil vê-las como falíveis, incompletas, limitadas. Posso ver a outra pessoa como boa em essência, mas passível de falhas e erros e, portanto, diferente da percepção que eu tinha dela. Depois que ela me faz algo ruim, tendo a vê-la apenas como isso que fez. Mas, é bom lembrar de coisas boas que ela também fez. Sair apenas das experiências ruins com ela e ampliar o olhar pode ajudar a sair da mágoa e olhar a realidade como ela é.

9. Você consegue se imaginar na posição de Deus e olhar pra essa pessoa como se fosse Ele? Como Deus, que é todo perfeito e absoluto olharia para esse seu filho ou essa sua filha que errou contigo? E você, cheio de falhas e incoerências, como olha? Acredito que, se o próprio Deus perdoa, quem sou eu para não perdoar? Ele sempre tem um olhar novo sobre nós. Nós também não devemos desistir de ter um olhar novo sobre o outro.

10. Você decidiu ser feliz? Então, de uma vez pare de pensar que perdoando você vai estar beneficiando o outro, se humilhando ou dando algo a alguém. O perdão não é benefício pra quem recebe, é pra quem dá.

Uma vida também pode ir à falência como uma empresa, quando não administramos bem nossos sentimentos. O ser humano é responsável por administrar sua vida, se aperfeiçoando constantemente, acreditando que é possível mudar. Não repetir os mesmos erros. Se conhecer para poder se administrar e administrar os outros em sua vida. É preciso lembrar que também nós somos limitados, raivosos, e que nós também erramos. E que ressentir é sentir várias vezes, enquanto resignificar é dar um significado novo ao outro e a si mesmo.

Marleidi Mocelin
Psicóloga

Marleidi Mocelin
Marleidi Mocelin
Graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Espírito Santo, Pós-graduada pela PUC Minas em Psicologia Clínica, Mestre em Educação pela UFES, com ênfase em Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, Formação em Hipnose na Abordagem Eriksoniana, Experiência profissional de 20 anos em atendimento psicológico, Experiência de 10 anos como professora de nível superior, lecionando também para pós-graduações, Experiência de 12 anos como psicóloga escolar, inclusive em atendimento a orientação vocacional e profissional.

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